Sara Reis. 19 anos. Um pouco de livros, um pouco de música, um pouco de cinema. Apaixonada por psicologia, coca-cola e Foo Fighters. Chocólatra, emotiva, sarcástica e louca pelo Flamengo.
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terça-feira, 14 de julho de 2009 @ 17:36

    

Tenho bons motivos para não querer escrever hoje. Mas para nao deixá-los em falta novemente, vai um texto que tem muito a ver com tudo. Pelo menos, comigo. Senão tiver com você, aprecie por apreciar.

"Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha.
Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga.
Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais.
Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar.
Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa."
Arnaldo Jabor

tem tudo a ver.
obrigada e boa noite.

Postado ao som de:
.Foo Fighters - Walking after you
.Paralamas do Suceso - Quase um segundo


postado por Sara Reis -

Comentários:

Elogio à loucura romântica, eu digo!
Até onde irão os poetas em suas tentativas de "animalizar" um dos sentimentos mais nobres e genuinamente humanos?
A conotação do amor como derivado de sensações fisiológicas o coloca no patamar do instinto, e rejeita todo o trabalho da evolução psíquica e social da humanidade!
Apesar de bela, essa visão nada tem de valor senão sua arte implícita, que atrai admiradores desatentos e sonhadores.
O amor incentiva nossa criatividade, nos leva à sacrifícios, nos induz a expandir nossa percepção em torno de outro alguém. Enfim, nos torna pessoas melhores.
Se nos distanciamos da razão na presença do amor, talvez seja pela dificuldade de compreendermos a nós mesmos.

A Psicologia, como qualquer ciência, cuida de construir modelos que explicam fenômenos, de forma mais ou menos controlada. Só nos resta conhecer as varíaveis envolvidas, e talvez tenhamos uma equação! :)

 

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